#6 Antonina: Tranquilidade, história e lazer.

In MOCHILÃO by Leandro Knobloch2 Comments

A cidade, uma das mais antigas do Paraná mantém viva a sua história centenária, as ruas são um convite a experienciar parte do passado.

   Antonina fica no litoral norte do Paraná, mas em nada lembra aquela agitação típica das praias, talvez pelo fato da cidade não ter contato direto com o mar aberto. O município fica em uma baía protegida, com águas calmas como se fossem lagoas, a calmaria que chega pelo oceano e se espalha pelas ruas da cidade cria uma atmosfera de paz e tranquilidade, onde o som que mais se destaca é o cantar das caturritas que voam aos bandos do nascer ao por do sol.

 

   A primeira impressão que tive ao chegar a cidade era de estar em algum vilarejo do litoral baiano, era noite, as estreitas ruas de paralelepípedo margeadas por casas antigas de paredes geminadas e coloridas, inúmeras igrejas, grandes palmeiras com suas folhas balançando indicando a direção do vento, no caminho da orla uma parede grafitada com o desenho de um pescador negro e por fim, ao chegar na beira mar um trapiche a meia luz circundado por pequenas canoas que se movimentavam lentamente com a ondulação da maré…

  

   Bem, amanheceu e a tranquilidade da noite permanecia pelas ruas. Comecei a entender a semelhança com a Bahia, afinal a cidade tem quase 400 anos de ocupação pelo “homem branco”, que sucedeu os indígenas da tribo Carijós,   seus primeiros habitantes  foram exploradores e escravos que vieram explorar o ouro que havia na região, mas foi no início do século 18 que o povoado começou a se formar, a construção da Capela Nossa Senhora do Pilar no ano de 1715 foi fundamental para permanência do povoado, a Capela chegou a abrigar dezenas de famílias nos primeiros anos da construção, por esse motivo os habitantes locais eram chamados de Capelistas, nomenclatura usada até hoje por alguns moradores, sendo por exemplo, Capela nome de escola de samba e clube de futebol. Já o nome atual da cidade vem de uma homenagem ao princípe Dom Antônio, filho de Dom João VI e Carlota Joaquina.

 

   A cidade viveu seu momento de efervescência em meados do século 18, no auge da produção de erva mate no estado, aproveitando-se de sua posição geográfica privilegiada, na época não havia o porto de Paranaguá e toda a mercadoria que chegava e saía pelo litoral paranaense passava pelo porto de Antonina, fazendo a conexão mercantil entre trens e navios.
Além da deliciosa nostalgia Antonina tem encantos contemporâneos, nas praças e recantos sempre há um banco a espera de alguém a contemplar a paisagem. Um desses locais é o trapiche do antigo porto, que não recebe mais navios, mas ancora pequenas embarcações de pescadores e barcos de passeio turístico.

  

 

 

Fizemos um desses passeios, a bordo do barco Alto Mar na companhia do Capitão Andre, o passeio de pouco mais de meia hora roda pelo entorno da baía, proporcionando uma vista privilegiada da cidade, sendo possível visualizar a serra do Ibitiraquire ao fundo, bem como toda a orla do município, além disso a embarcação passa bem próximo a pequenas ilhas de manguezais onde se destacam as aves e os caranguejos.

 

No Mercado Municipal, que fica em frente ao trapiche é fácil encontrar

bancas com artesanato local, que valorizam os recursos naturais da região, como na banca da artesã Leoci Oliveira da Silva, natural de Manaus, mas que adotou a cidade há alguns anos, todo o seu trabalho é feito a partir de couro e escamas de peixes.

Para alegrar o estômago há opções de almoço, lanche e sobremesa. O prato mais famoso da região é o barreado, uma espécie de carne de panela, cozida por horas que vem acompanhado de banana e laranja. Nas tendas de beira de estrada a pedida é o pastel de palmito e para os amantes do doce, a bala de banana de Antonina que segundo os moradores é a melhor do mundo com certeza vai agradar a muitos.

    

   Quem quiser pegar uma “praia” a onda é ir até o bairro da Ponta da Pita, no local há uma extensão de areia onde é possível ficar “lagarteando” no sol por horas ouvindo o som o mar ou atirar-se a sombra de alguma amendoeira e não sentir as horas passarem. Se você quiser algo além disse eu recomendo a pratica de caiaque, nós levamos o nosso e remamos pelo entorno da baía, mas você pode alugar um lá mesmo. Depois da praia é só atravessar a rua e aproveitar algum dos restaurantes que oferecem além do barreado diversas opções de pescado.

 

   CONTOS POPULARES, OUVI DIZER QUE…

…a cidade é boa pra casar, ao menos é o que diz a lenda da noiva da estação. A história é trágica, diz que uma noiva esperava o retorno de seu amado que voltaria da guerra, mas ao saber da sua morte ela se enforcou na estação e, até hoje anda pelos arredores. Certo é que crentes nessa lenda diversos noivos vão até o local para firmar seus votos e realizar ensaios fotográficos…

…outra prosa que se ouve é do cavalo branco que anda no entorno do coreto da praça central. Segundo populares a história é que o cavalo pertencia a uma cigana que teve uma benção negada por um padre e está enterrada no exato local onde foi construído o coreto e nas noites o cavalo é visto sozinho fazendo ronda pelo local. 

EVENTOS

Carnaval –> Tem a fama de ser o carnaval mais animado do Paraná, reúne milhares de pessoas, nos bloco e nas escolas de samba do município.

Encontro de Carros Antigos –> O Evento que já acontece há 17 anos entre os meses de junho e julho enche a cidade de charme.

Festival de Blues –> Pra esquentar o início do inverno Antonina realiza esse festival muito bacana, se estivesse por perto com certeza eu iria.

Festival de Inverno da UFPR –> Outro evento imperdível, uma semana cheia de atividades artísticas e culturais que espalha magia pelas ruas e teatros da cidade.

 

AGRADECIMENTOS AOS AMIGOS:

Enzo e Susanna da Garagem Nova Era, obrigado pelo carinho e amizade.

Capitão André Skipper do barco Alto Mar, obrigado pelo passeio, foi demais.

Alexandre do Restaurante Maré Alta onde eu mandava aquele rango pegado todos os dias.

E aos outros amigos que não tenho nas redes sociais, Dona Terezinha e Nereu do Mercado Municipal, “Gaúcho de São Borja” e Kiko da praça do trapiche, quantas histórias nós ouvimos, Pessoal da Igreja Nossa Senhora do Pilar, que foram nossos “vizinhos” por uma semana, ao amigo que devolveu a minha carteira, não falamos os nomes, mas trocamos uma boa ideia, muito obrigado! E a todos os demais com quem estive na cidade, foi muito gratificante estar na companhia de vocês!

  

 

 

 

Camboa Hotel –>

Rua Valle Porto, 208 – Centro Histórico Antonina – PR.Telefones –>(41) 3432-3267 (41) 98776-1100imgtopo

Pousada Atlante –>

R. Cel. Líbero, 266 – Centro Histórico, Antonina – PR. Telefone –> (41) 3432-1256

ONDE COMER

Restaurante Maré Alta –>

R. Quinze de Novembro, 128-134, Antonina – PR.

Restaurante Brisa do Mar –>

R. Heitor Soares Gomes, 88 – Centro, Antonina – PR. Telefone (41) 3432-0252

Restaurante Le Bistrô –>

Travessa Vitório Carraro, 25 Antonina-PR. Telefone (41) 3432-4947

De Carro –> Há duas vias de acesso para se chegar a Antonina, pela BR 277 rodovia pavimenta e administrada por concessionária, possui pedágios. O outro acesso é pela centenária estrada da Graciosa, acessada pela BR-116, todo caminho é muito bonito cercado por mata virgem e florido em algumas épocas do ano.

De Ônibus –> Quem faz o trajeto vindo de Curitiba é a Empresa de Ônibus
Viação Graciosa
Tel. (41) 3432-1272 home page: www.viacaograciosa.com.br Com preços a partir de R$27,00(Jun/18)

De Avião –> O Aeroporto mais perto de Antonina é o Afonso Pena, em São José dos Pinhais.

Distâncias das Capitais mais próximas:
Curitiba 79 km
São Paulo 444 km

Passeios Históricos
Passeios de Barco
Canoagem, Caiaque e SUP
Mangues
Caminhadas na Ecológicas
Observação de Aves
Gastronomia Local
Artesanatos Típicos
Eventos Culturais

Comments

  1. Carlos Augusto "Pakho" Cornelsen

    Bacana este artigo sobre Antonina, Litoral do Paraná… lindas imagens e texto bem escrito. Foi um prazer conversar contigo, Leandro. Espero que o texto sobre Morretes fique tão bom quanto este. grande abraço Pakho – Kanoa EcoAventura

    1. Author
      Leandro Knobloch

      Que legal que gostastes meu amigo! Já temos o texto sobre Morretes publicado e as histórias que me contastes estão narradas por lá! Grande abraço!

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