Conheça o PETAR sem contratar guias.

In MOCHILÃO by Leandro Knobloch4 Comments

BEM VINDO AO PETAR, SEM GUIA!

  

Muitos de nós, amantes da natureza, praticantes de esportes ao ar livre ou mesmo turistas de finais de semana, já ouvimos falar no PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira), a famosa região das cavernas, são mais de 300 e a região possui também a maior porção de Mata Atlântica preservada do Brasil. Toda essa importância fez com que a localidade se tornasse uma Unidade de Conservação, ação sem dúvida muito importante, mas que acaba limitando o acesso turístico. A entrada nos parques são baratas, em média R$ 10,00, mas são permitidas apenas com a contratação de guias locais, os pacotes não estão para qualquer bolso, encontramos preços entre R$ 150 e R$ 300 por pessoa, o que para alguns desavisados pode acabar “estragando” o passeio. Nós estávamos de passagem com a nossa Kombi  e não fizemos nenhum pacote, a grana estava curta, mas fizemos um roteiro com tudo que o local tem: cavernas, cachoeiras, trilhas e mirante, tudo no 0800, segue o texto!

Estávamos seguindo de Taubaté-SP em direção ao sul, conversando com um amigo sobre o caminho ele nos sugeriu conhecer a Região do Alto Ribeira e o famoso PETAR, gostamos e resolvemos seguir para lá. Seguimos até Campinas e tomamos a BR-373, onde encontramos muitos pedágios e no final do trecho obras de melhorias na rodovia fizeram com que chegássemos já com a tarde caindo, enfim, estávamos em Apiaí. Nada, ou quase nada sabíamos sobre a cidade, paramos então em uma praça, perguntamos onde havia um supermercado e cachoeiras, afinal gostamos de estacionar próximo a água, o mercado estava logo ali, estoque O.K, mas a cachoeira…A informação que tivemos é que para encontrarmos as cachoeiras teríamos que ir para Serra de Iporanga, distante mais 20km, estávamos cansados mas resolvemos ir, já era noite, depois de 2 km o caminho se mostrou, estrada de terra, muitas “costeletas”, pista estreita e cheia de curvas…levamos quase uma hora para percorrer o trajeto. Já no local, as poucas pessoas com quem conseguimos falar nos disseram que as cachoeiras estavam mais distantes…dessa vez não fomos, resolvemos parar por ali mesmo. Já com o “acampamento” montado um transeunte fez um alerta: “cuidado, esse local é caminho de onça…” é, a nossa chegada foi pouco planejada, mas o local guardaria boas surpresas.

  

O dia amanheceu e nada da onça aparecer para eu registrar, mas aos pouco os moradores iam surgindo e aí conhecemos o “Jura”, guia local e dono de uma das várias agências de turismo, e ele por fim nos deu mais um banho de água fria, eu perguntava pra ele como ir ali… como ir lá, e as respostas terminavam sempre em $$$. Tudo por lá é pago, mas depois de tentar me vender alguns pacotes ele me falou sobre um lugar próximo que era possível ir sem guia…parei então de fazer perguntas e resolvi andar pela região…

CACHOEIRAS

Depois rodar um pouco conhecemos algumas cachoeiras de acesso ao público,  para a nossa surpresa (e que nenhum dos guias locais fala) é que a maior delas você pode conhecer dessa forma.

CACHOEIRA ARAPONGAS –> É a maior da região, possui cerca de 70 metros de altura, ela fica no caminho entre Apiaí e Serra de Iporanga, há uma pequena placa indicando o acesso ao local mas como havíamos passado por ali a noite, não tínhamos visto. No caso de estar com veículo, este deve ficar estacionado na estrada e é possível descer apenas por poucos metros, mas é desaconselhável. Cerca de 200 metros a frente haverá um pequena ponte de madeira, esta é a “entrada” para a cachoeira, que como fica em área particular, um simpático senhor cobra o valor de  R$ 5,00 para o ingresso. Na verdade é uma ajuda de custo para que ele mantenha a trilha limpa até a cachoeira, além de retirar a vegetação que cobre a trilha, ele ainda coloca placas de orientação e cordas nos trechos mais críticos. O caminho tem pouco mais de 1 km (todo muito bem sinalizado) por se tratar de um pequeno percurso a dificuldade não chega a ser é um fator relevante, apenas atenção no caso de pessoas com alguma limitação física, pois em alguns trechos há pequenos desníveis e, já na “porta” da cachoeira um longa escadaria. O lugar é belíssimo de natureza plena, só água e verde.

  

CACHOEIRA SEM FIM –> Saindo do bairro Serra de Iporanga no sentido Iporanga ha cerca de 3km haverá a indicação do local, esta mais visível que a Arapongas onde mais uma vez o veículo fica estacionado na estrada, a cachoeira fica em uma área particular e o valor do ingresso é R$ 6,00.
A trilha é auto guiada, sem dificuldades de orientação. São 3 quedas pelo caminho e a maior delas tem cerca de 10 metros de altura, em todas é possível tomar um bom banho mas na última o poço é bem generoso. Pela trilha a diversidade da flora pode ser admirada bem de perto, são diversas qualidades de bromélias, palmeiras e pequenos arbustos floridos.

    

NÚCLEO OURO GROSSO –> Esta unidade do Parque também fica no bairro da Serra, e há um pequena trilha que pode ser feita sem a contratação de guias, uma caminhada leve, que tem como atração uma enorme Figueira localizada no meio da trilha, o seu tronco possui uma grande abertura que é usada como passagem pelos visitantes.

   

VOLTANDO PARA APIAÍ

Enfim havíamos conseguido chegar às cachoeiras, então resolvemos voltar para Apiaí, já que seguiríamos a nossa viagem para o norte do Paraná por aquele caminho.

Estacionamos a nossa Kombi no Parque Nacional do Morro do Ouro, para nós no início se tratava apenas de um grande parque com pipocas, churros, fonte de água, estacionamento e vigilância noturna, decidimos pernoitar por ali. Assim como nós, quem estiver viajando com casa rodante é um bom local para parar.

 

Trilhas, história e mirante.

Este é um parque aberto e não é cobrado ingresso, ele é muito arborizado, limpo e oferece opções de lazer para toda família como caminhadas, área de parquinho, equipamentos para atividade física, monumentos e construções que remetem a história do garimpo, muito presente na região. Para quem estiver com um pouco mais de disposição, a Trilha do Ouro com extensão de 3 km permite uma agradável caminhada por entre imensas Araucárias, antigos túneis usados na extração do minério e que por fim terminará em um mirante com vista para toda a região.

    

CAVERNA DO DIABO

Esta é a única caverna que cobra um ingresso popular de R$ 17,00 para visitação, neste valor já está incluído um monitor local que acompanha a visita. Nesta viagem não visitamos a caverna (pois já havíamos ido em outra oportunidade) é uma excelente opção para quem tiver interesse em conhecer este tipo de ambiente.

A caverna fica próximo a BR-116 nas mediações de Barra do Turvo,  no KM 111 da SP-165, a mesma rodovia que liga Apiaí a Iporanga.

  

Este é o nosso Guia para visitar essa região incrível, sem gastar muito pra isso, pode-se ter uma grande experiência  dessa forma. Claro que as outras atrações são muito interessantes também, mas assim dá para sentir muito bem o clima da região, só faltou encontrarmos a onça…

De Avião: O aeroporto mais próximo fica em Curitiba, distante 119 km.

De Carro: Para quem vier das regiões norte e  sudeste, o melhor caminho é pela BR-373 já que toda a pista é pavimentada. Para quem preferir usar a BR-116 será necessário ingressar na SP-165, via com estrada de terra em boa parte do caminho.

Para quem vier do sul a BR-476 é o caminho mais curto, mas o trecho de 120 km entre Curitiba e Apiaí é feito todo em um serra de pista com mão dupla, o caminho é muito bonito, mas o fluxo de caminhões torna o percurso bem lento.

De ônibus: Saindo de São Paulo a Trasnpen é quem faz a viagem.

Para quem sair de Curitiba a empresa Cerro Azul é quem faz o serviço.

Ficamos e comemos na Kombi, mas em breve colocaremos opções enviadas por nossos leitores.

 

Comments

  1. Eduardo Fragnani

    Que d mais , muito bom ler as histórias e poder seguir passos importantes, para poder aproveitar muito sem gastar o desnecessário! Parabéns família!

  2. Mateus Barufi

    Leandro, parabéns pela matéria brother. Era exatamente sobre esse formato que conversávamos no churrasco, vender mais o lugar e a experiência com menos merchan. Abração brother, sucesso sempre no teu projeto.

  3. Ana Evangelista

    Olá!
    Pena que não nos encontramos ou que não tenham procurado pequenas agências ou diretamente Guias (Monitores Autônomos) que poderiam atender com valores mais populares e constaria nessa matéria belezas como Caverna Santana, Morro Preto, Ouro Grosso, Alambari de Baixo… Vale também acrescentar como prestação de serviços a importância do Turismo para a manutenção de comunidades tradicionais protetoras das Unidades de Conservação como o PETAR!

  4. Jamilson Motta

    Cara, corrige aí… De 150 a 300,00 por pessoa nãaaoooo!!!
    Comigo de 30 a 60,00 Monitor Ambiental nativo, conhecedor da região, das cavernas, cachoeiras, abismos, rios e muito mais!
    PETAR sem Guia somente no Núcleo Santana a Cachoeira do Couto e Piscina Natural do Betary… Fora do Parque tem muito mais do que você relata e não viu. Mais um motivo para procurar um Guia Local!
    Priorize sempre a comunidade local, ela é a responsável pela manutenção de áreas protegidas.

    Jamilson Motta
    Monitor Ambiental credenciado ao PETAR desde 2007.
    (15) 99842-8164

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