Viajando de Kombi

In MOCHILÃO by Leandro Knobloch30 Comments

Compramos recentemente uma Kombi furgão ano 1986, com o objetivo de transforma-la em uma casa móvel, para optarmos pela Kombi levamos em consideração o estilo, o baixo custo, a mecânica simples, facilidades em encontrar peças de reposição e claro o espaço, Kombi na mão é hora de pegar a estrada…

Bem, antes de pegar a estrada tivemos 2 meses de uma grande reforma. Adquirimos o veículo por R$ 4.500,00, o vendedor me falou “estou lhe vendendo o motor”, refizemos partes da lataria, trocamos duas portas, a tampa do vigia e pintura, a parte de estrutura estética estava pronta e nos custou ao todo R$ 1.300,00. O importante estava por fazer, a mecânica, tivemos uma grande sorte em encontrar O CARA, o nome dele, Raul, “Raul da Kombi”, antes dessa etapa nossos conhecimentos de mecânica se resumiam em: revisar o óleo, água e calibrar os pneus, esse veículo o motor não é refrigerado a água e sim a ar, logo perdemos quase metade do nosso “conhecimento”…vamos começar, pra deixar ela no “jeito” trocamos e revisamos diversas peças* e tivemos um custo total de R$ 1.980,00. Mecânica feita foi hora de colocar botas novas na Kombi R$ 1.200,00, outros custos R$ 265,00.

*Caixa de direção, amortecedores dianteiros, homo cinética, distribuidor, rotor, cabos de vela, velas, filtro carburador, mangueiras, cabo acelerador, mola acelerador e ajuste do varão da caixa de marcha.

Depois de todo esse processo tive enfim a certeza de estar dirigindo um veículo, havíamos rodado muito pouco com ela, nosso primeiro teste seria uma viagem de 1.500 km do litoral norte do Rio Grane do Sul ao Rio de Janeiro, as incertezas de chegar eram muitas afinal em 3 ocasiões dentro da pequena cidade (Osório) a Kombi já havia apresentado defeito e nos deixado na mão, além é claro das diversas histórias de Kombi pegando fogo que ouvimos “compra um extintor heim , vai precisar…”  mas o medo não nos visita, bora pra pista…

Pensamos em dividir a viagem em trechos de 300 km por dia com paradas ao longo do caminho. Saindo da cidade e entrando na BR-101 o teste começou pra valer, pela primeira vez a Kombi chegou aos 80 km/h e foi aí que descobrimos que ela é um veículo com pouca estabilidade, afinal de contas é um bloco retangular sobre rodas. A região de onde partimos é conhecida pelo seu parque eólico e é chamada de cidade dos bons ventos, poderia ser também dos fortes ventos, o vento que soprava vinha da direção “nordeste”, ou seja, nos pegava de frente, e sinceramente dificulta bastante à dirigibilidade, e aí tiramos a nossa primeira conclusão sobre viajar de Kombi, o vento é um fator muito importante, além de dificultar a estabilidade do veículo ele pode ajudar ou atrapalhar em outros detalhes, no nosso caso como ele vinha de frente a nós, a Kombi precisava fazer mais força, sendo assim consome mais combustível e aquece mais o motor e seus componentes, tendo em vista que este modelo possui motor traseiro e ventilado a ar, logo se o vento vier por trás ele dará um acréscimo no desempenho do veículo. Nos primeiros 2 dias foi assim, vento e vento. Ao pararmos pela primeira vez quando fomos retornar a viagem o arranque demorou a virar, sintoma, aquecimento da bobina, dica esperar resfriar, neste caso começamos a usar o vento a nosso favor, a cada parada abríamos a tampa do motor e deixávamos ventilando, pode-se usar também uma toalha úmida e colocar sobre a peça.

A partir do segundo dia a confiança aumentou significativamente e já estávamos interagindo bem com a Kombi, a velocidade de cruzeiro é mesmo os 80 km/h, e nesse ritmo chegamos a ter em um trecho de quase 300 km em que o desempenho de consumo foi surpreendente, rodando 12,5 km por litro, e o furgão estava lotado, 3 pessoas, dois cachorros, bicicleta, caiaque, barraca…! Pra se ter ideia quando comprei a Kombi tive a informação que ela estava fazendo 6 km/L na cidade e rodando bem até 9 km/L na estrada, logo essa foi outra grande surpresa legal que tivemos.

A viagem seguia, ao chegarmos em Curitiba acabamos mudando os planos e mudamos a rota inicial, trocamos a BR-101 pela BR-116 aí começou outro teste, subida de serra. De Curitiba até o Rio de Janeiro não tem jeito é um sobe e desce constante, o trecho mais crítico foi na Serra do Café, subimos boa parte em segunda marcha, um grande fluxo de caminhões também dificultava a subida, foi sem dúvida o ponto mais crítico, era o grande teste, a cada acostamento que encontrávamos pensávamos em parar, mas estes sempre estavam cheios, carros e caminhões aquecidos davam uma pausa, era preciso continuar, e ela foi até o fim.

Quando se encontra um lugar para parar sempre aparece alguém legal que vem conversar com você…

 

Já com mais de 1500 km rodados, a pouco menos de 50 km do nosso ponto final a Kombi enfim botou a língua de fora, logo depois de passarmos pela Serra das Araras ela cortou corrente e se negou a continuar, carro desmaiado tentamos reanima-lo, motor virado para o vento, toalha molhada sobre a bobina, pausa de meia hora e nada, bem era preciso substituir, sai bobina cansada, entra bobina nova e VRUMM, motor roncando novamente…

E assim foi a primeira viagem com a nossa Kombi, passamos por 4 estados, mais de 1500 km depois ela teve uma excelente média de consumo 10,2 km/l e apenas um problema mecânico, fácil de resolver. Conclusão, VW da antiga é mesmo casca grossa!

Comments

    1. Author
      Leandro Knobloch

      Valeu Erik, vamos dar um rolê qualquer hora! Grande abraço!

  1. Fernanda Buster

    Muito lindo o teu trabalho! Te esperamos novamente na Ilha da Pintada…

    1. Author
      Leandro Knobloch

      Muito obrigado Fer, vocês é que são demais, vou programar um retorno em breve!

  2. Kerolaine

    Sou do Turismo Ecológico Ilha da Pintada (parte da manhã) não tive a oportunidade de te conhecer, mas espero que possa vir aqui novamente.

    1. Author
      Leandro Knobloch

      Olá Kerolaine, no dia acabei tendo um imprevisto e me atrasei, mas vamos marcar uma data para retornar, gostei muito do ambiente em geral. Grande abraço!

  3. Luana

    Não tive a oportunidade de te conhecer mas, espero que você venha para que eu possa ter essa oportunidade. Sou jovem aprendiz Marista, curso turismo ecologico, Ilha da Pintada.

    1. Author
      Leandro Knobloch

      Olá Luana, já estou pensando em uma nova data para visitar a Ilha, será um prazer estar aí com vocês novamente. Grande Abraço!

  4. everton

    sou um jovem marista que legal esse projeto estou muito curioso para conhecer

    1. Author
      Leandro Knobloch

      Obrigado Everton! Em breve voltarei a Ilha pra batermos um papo! Abraço!

    1. Author
      Leandro Knobloch

      Valeu Renan, logo aparecemos por aí novamente. Grande abraço!

  5. Endrew

    Muito legal Seu trabalho! Te Esperamos Novamente, Abraços Do Grupo Turismo Ecológico.

  6. Amanda Vasques

    Adorei conhecer o seu projeto, espero que volte aqui na Ilha da Pintada.

    1. Author
      Leandro Knobloch

      Que bacana Amanda, eu também adorei conhecer vocês, logo voltarei aí! Grande abraço!

    1. Author
      Leandro Knobloch

      Eu também adorei conhecer vocês! Em breve nos vemos novamente, grande abraço!

  7. Gian

    curti muito seu trabalho, esperamos você para a próxima vez para passar o dia inteiro .
    abraços

    1. Author
      Leandro Knobloch

      Com certeza meu amigo! Vamos passar o dia todo por aí, teve promessa de carreteiro da professora, hahaha! Abraço!

  8. Vitória Espíndola

    Esse trabalho é algo realmente bacana é bem diferenciado de certa forma é algo que ao olhar de algumas pessoas pode não ter o mesmo valor que ao olhar de pessoas que realmente se importam com a natureza e tudo de bom que nos rodeia. Espero que da próxima vez que vier nos visitar possa passar o dia e curtir o que realmente tem de bom na Ilha da Pintada. Continue com este trabalho maravilhoso e parabéns!

    1. Author
      Leandro Knobloch

      Que legal as suas palavras, tenho certeza que somos iguais no diz respeito a nossa força de vontade em nos dedicarmos aquilo com o que nos importamos. Quero sim voltar a Ilha e passar um dia ou mais, afinal posso dormir em qualquer praça, haha, a Ilha me pareceu muito interessante, e como disse na conversa com vocês, gosto mesmo é de ter tempo para aproveitar e sentir o lugar, já estou providenciando o retorno. Abração!

  9. Izabela benitez

    Adorei conhecer seu projeto, estamos esperando por vocês novamente aqui na ILHA da Pintada .

    1. Author
      Leandro Knobloch

      Eu também adorei tudo por aí, espero voltar em breve. Grande Abraço!

  10. Nicolas Aguiar

    Adorei conhecer seu projeto e gostei de ouvir suas experiências . Espero que você volte para nos visitar de novo.

    1. Author
      Leandro Knobloch

      Valeu Nicolas, eu tb achei 10! Vamos ver outra data pra retornar. Abração!

  11. João Carlos Martins

    Leandro, parabéns pela iniciativa e projeto, pois ambos inspiram sonhos e compartilham experiências únicas, que fazem sonhar aqueles e aquelas que te ouvem. Sucesso!

    1. Author
      Leandro Knobloch

      Obrigado pelas palavras João, fiquei muito feliz pelo convite, foi uma tarde maravilhosa, da próxima vez quero ir com mais tempo, para ouvir as histórias de vocês. Grande abraço!

  12. João Clóvis

    Leandro, depois de 33 anos em Santa Maria, aposentamos e viemos morar em Torres-RS. Compramos uma kombi e estamos começando os trabalhos para uma food kombi que também servirá para nossas viagens. Lí tua matéria e vibrei muito com ela, pela tua iniciativa e leveza pra viver e também por que me deu muitas dicas, afinal, eu vou montar ela de forma artesanal, tal qual a tua. Você mora em Osório? Bem, um grande abraço e fica o convite de nos aproximar.

    1. Author
      Leandro Knobloch

      Olá João! Que legal que a leitura foste de encontro as tuas expectativas. Sim, sou morador de Osório, vamos marcar um encontro qualquer hora, será muito bacana conhecer vocês. Através das redes sociais você consegue o meu contato, aí podemos conversar melhor. Grande abraço!

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