A Cultura do Medo no Brasil

In Du Raul by Leandro Knobloch2 Comments

Você poderia viver muitos momentos incríveis se não fosse o medo. Você sabia: Que em estado de tensão seu cérebro deixa de “pensar”? Que o medo elimina possibilidades? Quem patrocina a violência? Porque os noticiários estão repletos de tragédia?

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É evidente que vivemos em uma sociedade dominada pelo medo, basta acessarshutterstock_131290649 qualquer veículo de comunicação para sermos contaminados por notícias trágicas, roubos, assaltos, estupros, surtos epidêmicos, enfim, tem trauma para todos. Será que a coisa é tão feia quanto parece? Vivemos mesmo nesse holocausto?

Claro, não podemos negar os fatos, mas onde estiver o homem terá violência, não há lugar na terra 100% seguro, nem mesmo no ventre da mãe. Bem, isso pode parecer mais assustador ainda, mas o que realmente assusta é a forma como conduzem a nossa sociedade, ao nascermos somos desprovidos completamente de medo, mas basta abrirmos os olhos e já nos são apresentadas diversas “ameaças”, o medo faz parte da cultura brasileira, está implícito no nosso DNA, e essa é sem dúvida uma das formas mais covardes que o sistema usa para ter o controle sobre a população, não é por acaso que a imprensa nacional é sensacionalista e trágica, a ciência relata que quando estamos em estado de tensão, criado por medo, nervosismo, ansiedade…o nosso cérebro deixa de exercer funções normais(raciocínio, percepção) para exercer apenas funções vitais , claro que para tanto as situações necessitam ser extremas, mas a “injeção” diária de medo que nos é aplicada, é suficiente para criar em nós (todos) sentimentos de, desconfiança, incertezas, dúvidas, e outros tantos que fazem com que deixamos de experimentar, de tentar, e sem dúvida deixamos de ser espontâneos  no exato momento em que precisamos pensar e analisar, calcular o risco de tomar alguma atitude, muitas vezes coisas simples do cotidiano, como responder a um aceno de um desconhecido, atender alguém que toca a sua campainha e que talvez só queira lhe pedir um copo d’agua, dar carona, dividir uma mesa em algum espaço público, bem o que não faltam são exemplos, que vão desde coisas simples do dia a dia à infinitas possibilidades, e o que de fato todas tem em comum é que oportunidades foram perdidas em todas elas.

Sempre que falo com alguém sobre meus projetos de viagem com a MB em todas as vezes em ao menos um momento da conversa sou alertado de alguma forma, “cuidado com as estradas”,  “mas você conhece alguém por lá”, “mas não tem medo pela sua filha?”, “você é louco”, “se eu tivesse coragem também iria”…que pena, precisamos mudar nossa forma de enxergar a vida e criarmos nossos filhos sem os nossos medos.

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Não vamos longe, ano passado resolvi passar o fim de ano no Uruguai, nosso vizinho, como moro no RS a distância que percorri foi pouca, como sair do Rio para São Paulo, vi um anuncio de aluguel pela internet liguei e reservei a casa (sem pagar nada) quando cheguei ao destino liguei para o proprietário que me atendeu com o seu espanhol apressado e me disse que estava no trabalho, e que eu fosse até o endereço do imóvel, demorei um pouco até encontrar, uma rua ampla, arborizada e com casas sem muros, encontrei a casa pelo nome (por lá não se usa números, minha casa se chamava “Laura”) mas como não havia ninguém para me recepcionar aguardei, em poucos minutos apareceu uma senhora que se apresentou como esposa do proprietário e foi logo me questionando porque eu ainda não havia entrado, olhei para ela por uns 3 segundos, tempo em que pensava “como assim?”, então lhe falei que não tinha a chave, prontamente ela apontou para a porta e disse: “ele está no trabalho mas a chave está na porta” senti vergonha da minha realidade, mas claro prontamente respondi que não tinha visto. Quando no nosso país faremos isso, deixar a chave da nossa linda casa toda mobiliada e sem muros na fechadura para um estranho entrar? Que diferença monumental, a distância física de um país para o outro é mínima, apenas uma fronteira, mas quanta diferença de cultura, sim de cultura, pois em nós está cravado a cruz do medo.

Quão pobre somos nós brasileiros, não à toa fomos escolhidos como vítimas, somos o país americano mais rico por natureza, logo poderíamos ser uma ameaça, hoje já não mais, somos completamente dominados por várias frentes, e o medo hoje é um trauma genético na sociedade brasileira, a Cultura do Medo é um “presente” dos nossos verdadeiros comandantes. Ah, pra não deixar dúvidas não estou falando dos nossos políticos, esses são apenas fantoches, sem poderes.

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Comments

  1. Vitória Espíndola

    Infelizmente estamos cercados pelo medo, muitas vezes um medo sem sentido. No caso acho que deixar o medo de lado é algo muito gradativo que vai demorar e muito se as pessoas continuarem com tais idéias fixadas em suas cabeças (que muitas vezes não são idéias próprias, e sim algo generalizado e imposto pela sociedade e pela mídia).

    1. Author
      Leandro Knobloch

      Que legal, estou adorando os seus comentários, obrigado por tirar um tempinho pra escrever, vou ler o próximo!

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